
Fogem me palavras, alias, só de começar me acho ridiculamente contrariado de mim mesmo. Não quero me redimir nem pedir misericórdia alguma. Por mais que pudesse faze-lo sem avultados remorsos. Quero apenas que saibas de algumas incongruências que, por qualquer razão, não pudemos formatar a nosso desejo.
Não posso te dizer que não te amo mais, alias, isso soaria bem mesquinho contrariando tudo o que havíamos sonhado e prometido.
Não tempo que comecei a perceber a real expressão do que me movia as aurículas, tu pressionaste o botão e acabou-se a luz. E, para o pior, depois que as coisas ficaram claras, eu me surpreendi cada vez mais que abaixo do tapete da nossa relação, algo mais grandioso estava se desenvolvendo. Não precisa que me recorra a palavra alguma.
Sei que és muito determinada e, por isso, não me atrevo a calcular as probabilidades de que tudo passe em como se despercebido. Bom digamos que isso pudesse acontecer, mas na verdade seria como tentar domar um bando de víboras, o que é quase absolutamente impossível.
Amamo-nos num apenas trocar de olhar. Não sei se posso chamar de amor à primeira vista porque no fundo ambos sabíamos que iríamos ficar juntos.
Vivemos momentos maravilhosos - Isso não se pode negar. Para qualquer espectador isso era tão notável que nos grudávamos desde corpo ao extremo derradeiro dos nossos espíritos e, eu amei cada instante e cada sorriso. Embora tenha havido momentos de bruma, pareceu-me que era apenas um desencontro normal de casais.
Você amava os meus gostos, da mesma forma que aprendi a gostar do que era do teu mundo.
No fim apenas restaram lembranças que não param de me afugentar. Apenas recordações saudosas que me dizem tudo o que foi tão perfeito e também dramático que, as vezes, me causa um ataque de fúria.
Não se trata de mendigar por outras chances para redimir-me pois sei que no momento em eu podia faze-lo, a tensão entre nos foi aumentando a tal ponto que todos os meus neurónios não eram capazes de salvar-nos mesmo com o mais forte brainstorming. - Soa ridículo, eu sei.
Hoje reli as tuas notas, as tuas magoas e elogios, promessas e confissões indicativas que ao menos em ti existia um pouco de mim por mais que ate agora ainda não pude estimar a grandeza nem o real nome disso.
Mas também lamento te confessar que ultimamente te achei muito estranha e despadronizada do que sempre tivera em mente sobre você. Não que pensasse sobre uma recaída sua, por mais que isso, normalmente pudesse acontecer. No fundo tornaste-te tão demócrita e de mundos e fundos.
Não sei se isso e uma espécie de penitencia pela vida que morava dentro de ti ou um casual acontecimento da vida.
Non ti prometo niente, claro. Mas, categoricamente afirmo que sinto sua falta, uma saudade tristonha e fatalmente silenciosa, o que a torna mais sinistra.
Estou a uma pilha de dinamite aproximando ao fogo e só espero que isso não se traduza numa provável depressão.
Vais te perguntar o porque de te escrever isto em plena madrugada enquanto o mundo gira lá fora e as pessoas rejubilam as suas próprias inconsequências. No fundo sabes tudo, por mais que eu não queira te dizer a nudo e tondo, alias, podes perceber nas entrelinhas.
Cada musica que eu escuto parece falar de nos, cada lugar que passo parece ter alguma lembrança tua. As vezes penso que meu topete esteja pregando peças em mim, o que, de certa forma, pode ser possível.
Bom… é constrangedor, mas isso teve também a porte boa. Você me devolveu os meus dias de letreiro e isso não é imune ao meu merecimento e estimo bastante.
Imagino onde possa estar agora, talvez acocorada (tipicamente você faz isso) ou, talvez - Um leque de possibilidades reticentes.
Ainda te amo, claro, sem pretensão alguma. Mas o que supera todo tipo de sentimento é que dentro de mim parece existir um abutre que me roi pouco a pouco e, ficarei débil e partirei sozinho ao meu calvário.
P.S. Guardei o teu frasco de perfume - é a única imagem que me aproxima de ti.
03.22 - 30.08.2014